sábado, 26 de junho de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Estrofes coladas
É tão teu meu coração aflito. Não escreve assim rimado...
não escreve assim coeso. Que isso?
Cola aqui as estrofes... desse lado do meu corpo que é frio.
Calada, calado. Calafrio. Cá, lado frio...
Uma brincadeira boba de quem rola na grama, de quem pára de rolar e olha pro céu.
De repente está pequeno, se cobre de azul e vai dormir.
Brincando de palavras na boca. Bobas. Todas.
Se jogam da boca e morrem. Não sabem voar.
Em boca fechada não entra mosca nem sai aspirante a borboleta...
Antes casulos, crisálidas, crisântemos, crinas ao vento frio de uma manhã. Tua crina relinchando.
Minha crise escura curando.
Não é você que eu digo apesar de falar.
E a vontade de mudar as letras e criar uma que não sabe ser lida.
Vontade, de repente, de dizer "linda".
Quem?
A confusão. Caminhando em uma rua que não vai a lugar nenhum. É tão lenda lendo a placa que diz "perdida". Sorri e sai achada. Brinca um pouco na sarjeta e suja o vestido, bonita. Sonha ali pousada sobre aquele muro que é velho. Limpa um pouco essa cara e vai se formar em sentido. Fica logo ao final da rua.
Que bagunça.
Organização é prosperidade, disse minha mãe. Se próspero não parecesse uma palavra tão bonita, me desarrumava, mas me arrumo.
E quem sabe continuar a vomitar para sempre, sem linha mesmo, sem crochê, sem você me entender, eu sem te escutar, a gente se amando assim como se nos conhecêssemos.
O tempo aqui dentro muda tanto que a gente acaba ficando doente. E é tão obsceno agasalhar.
Nos versos das palavras escrevi de verdade, juro. Apenas não sei, às vezes gosto tanto de não saber que faço questão de fazer não saber alguém.
Lê aqui. Sabe?
Ai, confusão! Minha linda confusão!
Se quando fosse dia de morte todo mundo sentisse muito, valeria a pena morrer, não é? Mas todo mundo guarda muito sentimento para dias de velório.
Glória, glória, aleluia. Comigo!
Senta aqui do meu lado pra eu me acalmar.
Eu pareço calmo? Eu sei. Eu sei.
Você também parece.
Eu sei.
De quantas estrofes a gente precisou pra conversar?
Eu sei.
não escreve assim coeso. Que isso?
Cola aqui as estrofes... desse lado do meu corpo que é frio.
Calada, calado. Calafrio. Cá, lado frio...
Uma brincadeira boba de quem rola na grama, de quem pára de rolar e olha pro céu.
De repente está pequeno, se cobre de azul e vai dormir.
Brincando de palavras na boca. Bobas. Todas.
Se jogam da boca e morrem. Não sabem voar.
Em boca fechada não entra mosca nem sai aspirante a borboleta...
Antes casulos, crisálidas, crisântemos, crinas ao vento frio de uma manhã. Tua crina relinchando.
Minha crise escura curando.
Não é você que eu digo apesar de falar.
E a vontade de mudar as letras e criar uma que não sabe ser lida.
Vontade, de repente, de dizer "linda".
Quem?
A confusão. Caminhando em uma rua que não vai a lugar nenhum. É tão lenda lendo a placa que diz "perdida". Sorri e sai achada. Brinca um pouco na sarjeta e suja o vestido, bonita. Sonha ali pousada sobre aquele muro que é velho. Limpa um pouco essa cara e vai se formar em sentido. Fica logo ao final da rua.
Que bagunça.
Organização é prosperidade, disse minha mãe. Se próspero não parecesse uma palavra tão bonita, me desarrumava, mas me arrumo.
E quem sabe continuar a vomitar para sempre, sem linha mesmo, sem crochê, sem você me entender, eu sem te escutar, a gente se amando assim como se nos conhecêssemos.
O tempo aqui dentro muda tanto que a gente acaba ficando doente. E é tão obsceno agasalhar.
Nos versos das palavras escrevi de verdade, juro. Apenas não sei, às vezes gosto tanto de não saber que faço questão de fazer não saber alguém.
Lê aqui. Sabe?
Ai, confusão! Minha linda confusão!
Se quando fosse dia de morte todo mundo sentisse muito, valeria a pena morrer, não é? Mas todo mundo guarda muito sentimento para dias de velório.
Glória, glória, aleluia. Comigo!
Senta aqui do meu lado pra eu me acalmar.
Eu pareço calmo? Eu sei. Eu sei.
Você também parece.
Eu sei.
De quantas estrofes a gente precisou pra conversar?
Eu sei.
terça-feira, 20 de abril de 2010
"Pouco tenho dimensão do simples, tudo é difícil. Não é fácil 'simples assim'. Ou não, sei lá." - Márcia R.
é um cantinho do coração em que me tranco que me faz assim pequeno, assim fraco, assim simples... Bate uma vez o coração em poesia e eu soluço: "simples assim", lembrando de mim e do meu cantinho.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Biblioteca e corredor
Metade do tempo se acumulou sob as minhas unhas, o tempo encarde as pontas dos dedos e não me deixa apresentável.
É o meu cabelo que voa descompassado no vento, mais rebelde que eu, mais forte.
Eu tenho medo de olhar para o mundo sem a fumaça do meu cigarro.
Teço véus do meu interior que colorem essa cidade e preenchem seus limites.
É esta cidade que mora em mim, não eu nela.
É como um monstro respirando sob meus pés,
e em minhas próprias veias parece correr concreto,
tornando inabalável meu coração abstrato, torto de tanta ventania.
Estou no fim ou começo desse corredor em que não corro?
Paro, sou parado, olhante, observante, à deriva em um caminho de onde só as cinzas da ponta acesa escapam.
E os pássaros!
Eles, que cortam meus sonhos com suas asas,
aparecem nas minhas esperanças e desaparecem delas carregando pipas, colorindo sua liberdade e me apontando o corredor.
Quanto amor é necessário perder para cruzar com a pequenês e percebê-la?
Eu e ela somos desconhecidos como o destino das pipas roubadas.
Nos reconhecemos sob os cílios, hora ou outra solidários e tristes.
Mas como saber sem perceber?
Eu e a pequenês somos um círculo sem centro,
é a parte que me abandona quando o junto é sozinho e o sozinho é a sombra dos pássaros: imbatível, dona de tudo que é abaixo do desejo.
Eu, como sombra, quero atravessar estes arcos de uma só vez,
em velocidade que ateie fogo nos prédios, que mate, mas que viva;
sugar todo o azul que o horizonte puder apoiar e cuspir em vermelho sobre tudo que é moribundo ou máscara.
Quero entrar em todos os buracos e perfurar seus corações para que nunca mais voltem a ter fundo.
Quero ser sirene que foge da catástrofe,
a pressa que morre,
a inconstância que tira o sentido.
Que sentido eu devo fazer?
De quanto sentido você precisa na minha dor, meu mundo?
Eu cansei de chamar de dor isso que não faz sentido,
cansei de chamar qualquer coisa...
Tampouco quero descansar, enquanto canso, me chamo. Eu atendo.
Quando penso em todas as perguntas que já foram feitas, meu coração se esvazia e minha garganta engarrafamento.
Por isso eu fumo.
Trago a luz do sol de um mundo que funciona.
Em um sopro, idetermino os limites e ilumino tudo o que está escondido.
Quando comecei a acreditar mais nos reflexos?
Este foi o momento em que parei de combinar e conheci esse meu sorriso.
Vê?
Agora, os cantos desertos e os espaços de ninguém são minhas moradas sem porta.
A leveza das nuvens.
A dimensao dos pontos.
A potência da rotina.
O mistério das chaves perdidas.
A crueldade do beijo.
E a fatalidade da solidão.
Mas em desejo não sou diferente de ninguém.
É o meu cabelo que voa descompassado no vento, mais rebelde que eu, mais forte.
Eu tenho medo de olhar para o mundo sem a fumaça do meu cigarro.
Teço véus do meu interior que colorem essa cidade e preenchem seus limites.
É esta cidade que mora em mim, não eu nela.
É como um monstro respirando sob meus pés,
e em minhas próprias veias parece correr concreto,
tornando inabalável meu coração abstrato, torto de tanta ventania.
Estou no fim ou começo desse corredor em que não corro?
Paro, sou parado, olhante, observante, à deriva em um caminho de onde só as cinzas da ponta acesa escapam.
E os pássaros!
Eles, que cortam meus sonhos com suas asas,
aparecem nas minhas esperanças e desaparecem delas carregando pipas, colorindo sua liberdade e me apontando o corredor.
Quanto amor é necessário perder para cruzar com a pequenês e percebê-la?
Eu e ela somos desconhecidos como o destino das pipas roubadas.
Nos reconhecemos sob os cílios, hora ou outra solidários e tristes.
Mas como saber sem perceber?
Eu e a pequenês somos um círculo sem centro,
é a parte que me abandona quando o junto é sozinho e o sozinho é a sombra dos pássaros: imbatível, dona de tudo que é abaixo do desejo.
Eu, como sombra, quero atravessar estes arcos de uma só vez,
em velocidade que ateie fogo nos prédios, que mate, mas que viva;
sugar todo o azul que o horizonte puder apoiar e cuspir em vermelho sobre tudo que é moribundo ou máscara.
Quero entrar em todos os buracos e perfurar seus corações para que nunca mais voltem a ter fundo.
Quero ser sirene que foge da catástrofe,
a pressa que morre,
a inconstância que tira o sentido.
Que sentido eu devo fazer?
De quanto sentido você precisa na minha dor, meu mundo?
Eu cansei de chamar de dor isso que não faz sentido,
cansei de chamar qualquer coisa...
Tampouco quero descansar, enquanto canso, me chamo. Eu atendo.
Quando penso em todas as perguntas que já foram feitas, meu coração se esvazia e minha garganta engarrafamento.
Por isso eu fumo.
Trago a luz do sol de um mundo que funciona.
Em um sopro, idetermino os limites e ilumino tudo o que está escondido.
Quando comecei a acreditar mais nos reflexos?
Este foi o momento em que parei de combinar e conheci esse meu sorriso.
Vê?
Agora, os cantos desertos e os espaços de ninguém são minhas moradas sem porta.
A leveza das nuvens.
A dimensao dos pontos.
A potência da rotina.
O mistério das chaves perdidas.
A crueldade do beijo.
E a fatalidade da solidão.
Mas em desejo não sou diferente de ninguém.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Hamlet nas Minhas Manhãs
Ai, que desvontade...
Algo se pendura nos meus olhos e enfraquece meus músculos.
Os buraquinhos da janela transformam o cômodo em câmara escura, os diafragmas da câmera do meu sono. Projetam na parede a porta do jardim lá fora... os vidros quadriculados de ferragem branca.
E uma cortina.
Uma cortina branca se esquiva do vento, escrevendo uma poesia cinética, uma ação de ninar. A cortina branca a mercê do vento, soprando minha vontade daqui.
Silêncio e os barulhos do mundo. Imobilidade e olhos passeando, cogitando navegar o corpo. Ausência da horas e o medo das horas passando. Uma mão que é de sonho escrevendo e uma voz que é lenta correndo. Vou levantar.
Como?
O tempo parou.
E quando foi que pararam os corações para que prosseguissem os corpos?
Quando foi que lágrima se tornou água e começou a ser engolida? E quando foi que perdeu o sal?
Quando foi que tudo secou para que tudo ficasse tão lindo?
Quem se extasiou?
Quando foi que o amor adoeceu assim? Quando se tornou errado?
Quais os corrompidos?
Quando foi que cinema teve que virar vida e a vida teve que virar as costas?
Quando foi que as palavras acabaram e a língua se conformou?
Quando os ouvidos se esqueceram?
Quando a morte virou começo afinal?
A gente parou no tempo.
E quando foi que pararam os corações para que prosseguissem os corpos?
Quando foi que lágrima se tornou água e começou a ser engolida? E quando foi que perdeu o sal?
Quando foi que tudo secou para que tudo ficasse tão lindo?
Quem se extasiou?
Quando foi que o amor adoeceu assim? Quando se tornou errado?
Quais os corrompidos?
Quando foi que cinema teve que virar vida e a vida teve que virar as costas?
Quando foi que as palavras acabaram e a língua se conformou?
Quando os ouvidos se esqueceram?
Quando a morte virou começo afinal?
A gente parou no tempo.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Retrato do afeto
Um entardecer.
Duas pessoas iluminadas pelo sol das 5h, não, das 6h da tarde, sentadas em um banco. Daqueles de madeira que, entre uma madeira e outra, tem um fresta, mostrando frações do corpo de quem senta.
As duas pessoas estão de costas, não se falam, não se olham; uma apenas abraça a segunda com um braço enquanto a segunda apóia a cabeça em um dos ombros do um.
Duas pessoas iluminadas pelo sol das 5h, não, das 6h da tarde, sentadas em um banco. Daqueles de madeira que, entre uma madeira e outra, tem um fresta, mostrando frações do corpo de quem senta.
As duas pessoas estão de costas, não se falam, não se olham; uma apenas abraça a segunda com um braço enquanto a segunda apóia a cabeça em um dos ombros do um.
A duas cabeças olham para o céu: quase todo colorido de laranja, com pequenos buraquinhos brancos e algumas manchas violeta... as nuvens prometem o fim do mundo, apocalípticas...
Além do banco, além das duas pessoas, além do céu, não há nada.
Além do banco, além das duas pessoas, além do céu, não há nada.
Há, sim. Apenas uma árvore do lado direito do banco, com folhas refletindo as chamas do céu das 6h da tarde, não, das 5h.
Algumas folhas caem lentamente...
Algumas folhas caem lentamente...
...
Não caem muitas, mas, uma hora ou outra... caem duas ou três, ou quatro... e duas de novo, quatro... três folhas... duas. Duas. Mais duas... Três... Cinco! ...duas... Seis! ... Oito... VINTE E TRÊS... dezoito... dezenove... TRINTA e duas folhas! TRINTA E OITO, QUARENTA E DUAS, CAEM QUARENTA E DUAS! SETENTA E UMA... e uma... setenta e cinco... cento e doze... TREZENTOS E SETE! ...trezentos e cinco... treze... cento e quatro... nove... trezentos e trinta e oito...
... Quantas folhas uma árvore tem?
... Quantas folhas uma árvore tem?
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