Abaixo a música um pouco para que ela não fale muito mais alto que meus pensamentos.
Meus pensamentos andam falando meio baixo. Qualquer coisa aqui dentro que antes gritava o cansaço finalmente cansou.
Não tem vontade de nada.
Não tem saudade de nada. Tudo que passou não é mais, é outro.
Apenas esse arrepio frio na pele, uma ardência que toma o rosto e chega aos olhos, carregando as nuvens sob as sobrancelhas.
Sem chuva.
Sem tempestade.
Apenas um sorriso nublado.
Todo amor encontra sua própria solidão.
Meu coração já se cansou de falsidade.
Faço minhas as suas palavras. São minhas essas notas. Um som tirado das cordas aqui do peito.
Tristeza que vem de onde. Vai para lugar nenhum. Fica aqui empoçada nas minhas ruas.
Olhei agora ao redor e nada se moveu.
...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Modelo Vivo
A pele amassada, suja, velha, puída,
Passada, lavada e novamente suja, encardida.
Pendurada, sêca.
Pele rasgada, furada. Traça.
Traça.
Traça, traça, traça.
Fedida e mofada.
Pele rôta de mofo.
Naftalina e baratas na pele.
Mendiga epiderme. Pedinte.
Pele morta.
Pelindigente.
Pele morta em cova comum.
Se em algum lugar um zíper...
Se em algum lugar uns botões...
velcro...
um laço frouxo para se desamarrar...
Na base das costas, subindo,
um caminho prateado e dentado.
Puxa com carinho o zíper, despindo.
Nas virilhas, botões.
Vermelhos, três de cada lado, com detalhes metálicos.
Desabotoa com carinho. Despeja os botões de suas casas e queima.
No peito e na testa, discreto, o velcro.
Uma grande tira de velcro de um mamilo a outro.
A segunda, de uma têmpora a outra.
Arranca agora com violência e susto.
Desprega as partes naquele som repentino e eu já recupero o fôlego.
Desafivela nos quadris e nos pulsos,
desata nas batatas e nas maçãs,
desamarra no pau,
desfaz algumas costuras e recorta algumas fibras.
Agora sim, nu.
Passada, lavada e novamente suja, encardida.
Pendurada, sêca.
Pele rasgada, furada. Traça.
Traça.
Traça, traça, traça.
Fedida e mofada.
Pele rôta de mofo.
Naftalina e baratas na pele.
Mendiga epiderme. Pedinte.
Pele morta.
Pelindigente.
Pele morta em cova comum.
Se em algum lugar um zíper...
Se em algum lugar uns botões...
velcro...
um laço frouxo para se desamarrar...
Na base das costas, subindo,
um caminho prateado e dentado.
Puxa com carinho o zíper, despindo.
Nas virilhas, botões.
Vermelhos, três de cada lado, com detalhes metálicos.
Desabotoa com carinho. Despeja os botões de suas casas e queima.
No peito e na testa, discreto, o velcro.
Uma grande tira de velcro de um mamilo a outro.
A segunda, de uma têmpora a outra.
Arranca agora com violência e susto.
Desprega as partes naquele som repentino e eu já recupero o fôlego.
Desafivela nos quadris e nos pulsos,
desata nas batatas e nas maçãs,
desamarra no pau,
desfaz algumas costuras e recorta algumas fibras.
Agora sim, nu.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Sumir
Ir para o Camboja
Cabelos brancos e compridos
Barba branca e comprida.
Ir para a Índia
A pele bronzeada
Dois ou três centímetros de levitação.
Ir para a Tailândia
Comer casulos de borboleta
Flores de Lótus onde caem as bitucas fumadas
Onde mora a vontade da mudança?
Como se foge do medo de permanecer?
Cabelos brancos e compridos
Barba branca e comprida.
Ir para a Índia
A pele bronzeada
Dois ou três centímetros de levitação.
Ir para a Tailândia
Comer casulos de borboleta
Flores de Lótus onde caem as bitucas fumadas
Onde mora a vontade da mudança?
Como se foge do medo de permanecer?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Danou-se
Era a última folha do último galho da última árvore da última cidade do último país do último continente do último planeta da última galáxia do último grãozinho de arroz.
Ela balançava harmoniosamente, poeticamente, quase lentamente performática aos tranqüilos estímulos da brisa cuidadosa e carinhosa com a última folha do último grãozinho de arroz.
Um dia veio um vento brutal, desajeitado, lindo e sensual, feroz, quase carnal, enorme, se transformou em furacão e derrubou a folhinha no chão.
Acabou-se o Baião de dois.
Ela balançava harmoniosamente, poeticamente, quase lentamente performática aos tranqüilos estímulos da brisa cuidadosa e carinhosa com a última folha do último grãozinho de arroz.
Um dia veio um vento brutal, desajeitado, lindo e sensual, feroz, quase carnal, enorme, se transformou em furacão e derrubou a folhinha no chão.
Acabou-se o Baião de dois.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Meus olhos adolescentes
Que sono. Que sono... Que sono....
Que sono que me vem...
Eu te olhando em um momento e, no outro, os olhos se rebelam e vão se trancar atrás das pálpebras, batendo-as malcriadamente ao passarem!
Meus olhos adolescentes...
Arrombo as duas portas violentamente assim que me percebo adormecendo, meus olhos te olhando ainda, disfarçando.
Bate de novo o sono. Bate um sono... Bate um sono...
Um sono que me bate...
Vai de novo tudo rodando, tua imagem se dissolvendo, se misturando com meu piscar. Teu som também vai se diluindo, se transformando em meus pensamentos. Eu lutando para voltar a(o) te(u) olhar...
Meus pensamentos, mais concretos que nunca!
Meus pensamentos, mais claros que nunca!
Eu ainda sem saber que adormeci, de repente me sinto feliz e confortável, mergulho em um rio de pensamento e deixo a correnteza me carregar.
Olho os galhos das árvores passando acima... o barulho da água nos ouvidos... alguns peixes esbarrando nas costas abaixo... a brisa na ponta do nariz molhado...
Uma velha sentada vai tricotando com os fios de água do rio... Uma luva vai voando pelo céu até cair nas mãos de um namorado, nu, brilhando sob o sol... uma pedra vermelha passa rolando pela cachoeira... ele grita e dá um pulo, mata um albatroz para comer e beija a velha com sua língua roxa e comprida...
A correnteza vai me levando enquanto eu aprecio a paisagem.
Como é esquisito que um namorado tenha vestido apenas uma luva...! Muito estranho! Mas olha aquela árvore feita de agulhas!
...bonita...
Um jovem moreno e um velho sem olhos lambem meus dedos enquanto eu tento subir uma colina verdemente gramada. Eu enfio a mão em suas bocas e carrego-os como malas pesadas, o cheiro doce dos dois... que cansaço!
Aquele pier feito de madeira avança não sobre o lago Paranoá, sobre um abismo. Parece perfeito sentar lá e descansar...
Balanço as pernas no vazio, sentado sobre as tábuas do pier, olhando para baixo, escuro, acima, claro.
Vão as tábuas se desmanchando, o pier desabando, eu caindo... tentando alcançar os pedaços para fazer uma escada enquanto caio no escuro. Não dá! Não dá!!! Estão todas podres! Uma única martelada desfaz a madeira em pó! Não dá!
Eu caio com a cabeça sobre as coxas quentinhas, dentro de uma bermuda jeans esfiapada... Enquanto brinca com meus cabelos, choro e conto como não conseguia fazer uma escada - uma simples escada! - durante a queda... Minhas lágrimas molham tuas coxas e eu escorrego por elas.
Fico sufocado! Socorro! Eu, preso entre as pernas molhadas! Socorro! Abre as pernas! Socorro!
Tento sair e escorrego nas paredes feitas de pele molhada. Tento escalar, rasgando as carnes com as unhas, mas é tudo escorregadio de lágrima, suor e sangue! Faço um desenho para você e colo na parede, para quando você chegar!
Mergulho na água fria e penso se é um rio que vira uma vez...
Meus olhos adolescentes...
Lembro do teu rosto, teu sorriso incandescente falando... O que...? O teu sorriso falando o quê? De onde vem teu riso? Cadê você?
Você está rindo de mim. Mas por que será?
Que engraçado...
iuhaiuahaiuahaiuahiauhaiuahaiu
Sinto minha boca se alargando e devo estar sorrindo, mas eu estou sorrindo. Devo estar sorrindo. Eu estou sorrindo! Devo estar...
Arrombo as portas novamente, como que recuperando o fôlego depois de quase afogado!
Meus olhos perdidos como adultos, assistindo você rir de mim enquanto assiste eu despertar.
Devo estar dormindo.
Funcionou. O sono passou!
Que sono que me vem...
Eu te olhando em um momento e, no outro, os olhos se rebelam e vão se trancar atrás das pálpebras, batendo-as malcriadamente ao passarem!
Meus olhos adolescentes...
Arrombo as duas portas violentamente assim que me percebo adormecendo, meus olhos te olhando ainda, disfarçando.
Bate de novo o sono. Bate um sono... Bate um sono...
Um sono que me bate...
Vai de novo tudo rodando, tua imagem se dissolvendo, se misturando com meu piscar. Teu som também vai se diluindo, se transformando em meus pensamentos. Eu lutando para voltar a(o) te(u) olhar...
Meus pensamentos, mais concretos que nunca!
Meus pensamentos, mais claros que nunca!
Eu ainda sem saber que adormeci, de repente me sinto feliz e confortável, mergulho em um rio de pensamento e deixo a correnteza me carregar.
Olho os galhos das árvores passando acima... o barulho da água nos ouvidos... alguns peixes esbarrando nas costas abaixo... a brisa na ponta do nariz molhado...
Uma velha sentada vai tricotando com os fios de água do rio... Uma luva vai voando pelo céu até cair nas mãos de um namorado, nu, brilhando sob o sol... uma pedra vermelha passa rolando pela cachoeira... ele grita e dá um pulo, mata um albatroz para comer e beija a velha com sua língua roxa e comprida...
A correnteza vai me levando enquanto eu aprecio a paisagem.
Como é esquisito que um namorado tenha vestido apenas uma luva...! Muito estranho! Mas olha aquela árvore feita de agulhas!
...bonita...
Um jovem moreno e um velho sem olhos lambem meus dedos enquanto eu tento subir uma colina verdemente gramada. Eu enfio a mão em suas bocas e carrego-os como malas pesadas, o cheiro doce dos dois... que cansaço!
Aquele pier feito de madeira avança não sobre o lago Paranoá, sobre um abismo. Parece perfeito sentar lá e descansar...
Balanço as pernas no vazio, sentado sobre as tábuas do pier, olhando para baixo, escuro, acima, claro.
Vão as tábuas se desmanchando, o pier desabando, eu caindo... tentando alcançar os pedaços para fazer uma escada enquanto caio no escuro. Não dá! Não dá!!! Estão todas podres! Uma única martelada desfaz a madeira em pó! Não dá!
Eu caio com a cabeça sobre as coxas quentinhas, dentro de uma bermuda jeans esfiapada... Enquanto brinca com meus cabelos, choro e conto como não conseguia fazer uma escada - uma simples escada! - durante a queda... Minhas lágrimas molham tuas coxas e eu escorrego por elas.
Fico sufocado! Socorro! Eu, preso entre as pernas molhadas! Socorro! Abre as pernas! Socorro!
Tento sair e escorrego nas paredes feitas de pele molhada. Tento escalar, rasgando as carnes com as unhas, mas é tudo escorregadio de lágrima, suor e sangue! Faço um desenho para você e colo na parede, para quando você chegar!
Mergulho na água fria e penso se é um rio que vira uma vez...
Meus olhos adolescentes...
Lembro do teu rosto, teu sorriso incandescente falando... O que...? O teu sorriso falando o quê? De onde vem teu riso? Cadê você?
Você está rindo de mim. Mas por que será?
Que engraçado...
iuhaiuahaiuahaiuahiauhaiuahaiu
Sinto minha boca se alargando e devo estar sorrindo, mas eu estou sorrindo. Devo estar sorrindo. Eu estou sorrindo! Devo estar...
Arrombo as portas novamente, como que recuperando o fôlego depois de quase afogado!
Meus olhos perdidos como adultos, assistindo você rir de mim enquanto assiste eu despertar.
Devo estar dormindo.
Funcionou. O sono passou!
domingo, 11 de julho de 2010
Fica batendo, parado, naquela estação
O seu balançado é mais que um poema. A beleza que não é só minha.
I neeeeed my girl in the hot sun of the Christmas Day. Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça: they've killed someone else no calor do Natal.
And I was quiet as a mouse wanting to know how to survive in the night life.
Volta do mar. Desmaia o sol. Tudo isso é paz, tudo isso traz uma calma de verão...
Já esperei a vida inteira por você: quero resolver de uma vez a situação.
Papa parapa papa papará.
Mulher mais adorada, agora que não estás, deixa que rompa meu peito em soluços. Cada hora que passa, é mais porque te amar. Agora derrama teu óleo de amor em mim, amada.
Que que eu sei? Este sentir-se fraco, o mel correndo. Essa minha incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu. Tu me dás esse orgulho de rei... meu verso, meu silêncio, minha música.
Eu sem você? Coisa sem sentido.
Vai no teu caminho que eu vou te seguindo no pensamento.
How lost I was until I found you. But you make me feel shiny and new. Like a virgin...
Te tocarei quando seu coração bater pela primeira vez. Por que você me faz sentir como... sentir...
Êêêêê Macarena!
Ao meu redor está deserto. Dentro desta geladeira, dentro da despensa e do fogão...
El capitalismo foraneo.
Em todos os armários, por dentro das paredes e no portão... até no que eu não enxergo.
El capitalismo foraneo.
No sapato, no cigarro, na janela, no som do carro. Em fevereiro.
El capitalismo foraneo.
What are you looking at?
tuntun tun tuntun tun
Strike a pose. Deixa seu corpo... black or white, boy or a girl.
Falando de amor... Se eu pudesse, por um dia, esse amor... essa alegria... Chega mais, meu coração. Chora a flauta pra quem anda perdido de amor.
IIIIIIIII'm feeling so real. I'm feeling so real, I'm feeling so real...
Subamos acima, subamos além, subamos!
Subamos acima do além, subamos!
Êêêê Macarena!
Oh!, acima. Mais longe que tudo! Como dois acrobatas, subamos lentíssimos. Lá, onde o infinito, de tão infinito, nem mais nome tem.
Tu e eu, herméticos; as nádegas duras. Despojados da carne, nós nos possuiremos.
Imensamente alto!
Dale a tu cuerpo alegria, macarena! Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena!
Le gustaria vivir en Nova York y ligar un novio nuevo.
Give me love. Give me life.
Your heart is not open.
Mon Dieu!
Mon Dieu!
Mon Dieu!
Bang Bang! Bang Bang!
I was five and he was six...
He shot me down, I hit the ground...
Aquele som horrível! Mon Dieu!
I shot you down! Você caiu no chão...
He didn't say goodbye.
My baby shot me down.
I neeeeed my girl in the hot sun of the Christmas Day. Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça: they've killed someone else no calor do Natal.
And I was quiet as a mouse wanting to know how to survive in the night life.
Volta do mar. Desmaia o sol. Tudo isso é paz, tudo isso traz uma calma de verão...
Já esperei a vida inteira por você: quero resolver de uma vez a situação.
Papa parapa papa papará.
Mulher mais adorada, agora que não estás, deixa que rompa meu peito em soluços. Cada hora que passa, é mais porque te amar. Agora derrama teu óleo de amor em mim, amada.
Que que eu sei? Este sentir-se fraco, o mel correndo. Essa minha incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu. Tu me dás esse orgulho de rei... meu verso, meu silêncio, minha música.
Eu sem você? Coisa sem sentido.
Vai no teu caminho que eu vou te seguindo no pensamento.
How lost I was until I found you. But you make me feel shiny and new. Like a virgin...
Te tocarei quando seu coração bater pela primeira vez. Por que você me faz sentir como... sentir...
Êêêêê Macarena!
Ao meu redor está deserto. Dentro desta geladeira, dentro da despensa e do fogão...
El capitalismo foraneo.
Em todos os armários, por dentro das paredes e no portão... até no que eu não enxergo.
El capitalismo foraneo.
No sapato, no cigarro, na janela, no som do carro. Em fevereiro.
El capitalismo foraneo.
What are you looking at?
tuntun tun tuntun tun
Strike a pose. Deixa seu corpo... black or white, boy or a girl.
Falando de amor... Se eu pudesse, por um dia, esse amor... essa alegria... Chega mais, meu coração. Chora a flauta pra quem anda perdido de amor.
IIIIIIIII'm feeling so real. I'm feeling so real, I'm feeling so real...
Subamos acima, subamos além, subamos!
Subamos acima do além, subamos!
Êêêê Macarena!
Oh!, acima. Mais longe que tudo! Como dois acrobatas, subamos lentíssimos. Lá, onde o infinito, de tão infinito, nem mais nome tem.
Tu e eu, herméticos; as nádegas duras. Despojados da carne, nós nos possuiremos.
Imensamente alto!
Dale a tu cuerpo alegria, macarena! Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena!
Le gustaria vivir en Nova York y ligar un novio nuevo.
Give me love. Give me life.
Your heart is not open.
Mon Dieu!
Mon Dieu!
Mon Dieu!
Bang Bang! Bang Bang!
I was five and he was six...
He shot me down, I hit the ground...
Aquele som horrível! Mon Dieu!
I shot you down! Você caiu no chão...
He didn't say goodbye.
My baby shot me down.
sábado, 26 de junho de 2010
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