Sobre o que a gente escreve quando se perde um amor e não se sente mais a falta?
O que é possível escrever com o peito vazio? Tem quem faça qualque coisa com uma simples cabeça cheia,mas as palavras da cabeça cheia caem todas nochão... como estas.
Sobre o que a gente escreve quando se perde? Qual o sentido de deixar palavras feitas de pedra quando toda a vontade é feita de vento e a mudança total e absoluta é a única forma de finalmente escrever algo bom... em mim, nos outros, de mim nos outros...
Dos vícios, o cigarro é o menos prejudicial. Dos vícios, o único novo é gelado e dourado, espumante.
Dos vícios, o maior de todos é o que repete os antigos.
Me descobri hoje um viciado em não crescer nunca. Não consigo largar a infância: qualquer par de braços é possibilidade de colo, qualquer desatenção é motivo de birra, qualquer desejo é motivo de arte. Eu tenho a síndrome do filho único que se sente caçula, minhas vontades são lei e meu choro é ouro.
Confesso que tem várias coisas que não digo, me envergonho do papel e da possibilidade infinita dos olhos que o correrão. Sou fraco.
Confesso!
Não!
Não grita isso por aí!
Como a gente sabe a medida certa do dentro pra fora e do fora pra dentro?
Dá vontade de nunca falar mais nada, dá medo de não ter mais nada além de mim, de ter tudo menos eu.
Como deve ser assassinar um anjo? Não ter discursos? Errar sem culpa, não ter vergonha de sentir tanto? Todo mundo vira adulto realmente? Como deve ser não precisar? Não ser necessário e não se abandonar?
Como deve ser ser outro?
A maior distância que já tentei percorrer terminava no outro. A maior distância que já percorri foi a metade desse caminho. Sentei no meio do percurso, exausto, derrotado por muitos outros maratonistas muito mais bem adaptados a essas longas distâncias.
Confesso, eu não sei ser sozinho e não sei não ser.
Eu só queria encontrar um espelho em uma outra pessoa e me mostrar o quanto eu estou bonito.
Eu queria morar na ferida de alguém.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Ser Vezes
Foi o som da água doce da música.
Foi o som de um violão no desvio do olhar.
Foi o som sem som nos incisivos e nos molares, nos caninos e nos felinos
Foi o silêncio e o cheiro que o silêncio tinha.
Foi a vida, le petite mort.
Foi uma vez.
Fui noite por um dia.
Fui embora e voltei. Voltei...
Fui às ambições do atirador de facas, O Trêmulo.
Fui ver o tempo marcando os ponteiros da falta, de novo e de novo.
Fui fazer origami de saudade pra disfarçar as marcas de dobras.
Fui dormir e não consegui. Sonhei e me seguiu.
É um tipo de escuridão.
É um tipo de piada constrangedora.
É exatamente como a tristeza. Não é.
É doença, é barco, é o leste, é risco, é um traço. É um maço inteiro.
Era uma vez só.
Sou alguém que eu nunca fui. De repente, alguém que eu não sou...
Sou engraçado?
Sou interessante, talvez? Sagaz?
Sou bonito? Misterioso, cativante, simpático, habilidoso?
Sou? Hein? Sou?
Sou som?
Sou pura imaginação, sou Deus quando imagina a si mesmo.
Será que tem lugar?
Será novo? Será de novo?
Será hoje à tarde, será hoje à noite, amanhã de manhã...
Será até que não seja. Até que passe... até que ladre... até que aprenda outras línguas.
Será uma pequena canção.
Será o fim, uma pena.
Será difícil.
Será só uma vez.
Serei uma resposta atrasada. Talvez incorreta.
Serei na escada esperando, serei na esquina fingindo, serei no pescoço mordendo, serei no domingo chorando, serei nos cabelos perdido, serei no vazio ansioso.
Serei cegado pelo azul, serei desequilibrado pela altura, serei tropeço, serei melhor. Serei essa promessa, serei mais fumante, serei mais bebedor, serei menos o que deveria.
Serei pequenas mortes até que venha outra pequena, um pouco maior.
Serei um, só, vez.
Mas talvez não seja nada.
Foi o som de um violão no desvio do olhar.
Foi o som sem som nos incisivos e nos molares, nos caninos e nos felinos
Foi o silêncio e o cheiro que o silêncio tinha.
Foi a vida, le petite mort.
Foi uma vez.
Fui noite por um dia.
Fui embora e voltei. Voltei...
Fui às ambições do atirador de facas, O Trêmulo.
Fui ver o tempo marcando os ponteiros da falta, de novo e de novo.
Fui fazer origami de saudade pra disfarçar as marcas de dobras.
Fui dormir e não consegui. Sonhei e me seguiu.
É um tipo de escuridão.
É um tipo de piada constrangedora.
É exatamente como a tristeza. Não é.
É doença, é barco, é o leste, é risco, é um traço. É um maço inteiro.
Era uma vez só.
Sou alguém que eu nunca fui. De repente, alguém que eu não sou...
Sou engraçado?
Sou interessante, talvez? Sagaz?
Sou bonito? Misterioso, cativante, simpático, habilidoso?
Sou? Hein? Sou?
Sou som?
Sou pura imaginação, sou Deus quando imagina a si mesmo.
Será que tem lugar?
Será novo? Será de novo?
Será hoje à tarde, será hoje à noite, amanhã de manhã...
Será até que não seja. Até que passe... até que ladre... até que aprenda outras línguas.
Será uma pequena canção.
Será o fim, uma pena.
Será difícil.
Será só uma vez.
Serei uma resposta atrasada. Talvez incorreta.
Serei na escada esperando, serei na esquina fingindo, serei no pescoço mordendo, serei no domingo chorando, serei nos cabelos perdido, serei no vazio ansioso.
Serei cegado pelo azul, serei desequilibrado pela altura, serei tropeço, serei melhor. Serei essa promessa, serei mais fumante, serei mais bebedor, serei menos o que deveria.
Serei pequenas mortes até que venha outra pequena, um pouco maior.
Serei um, só, vez.
Mas talvez não seja nada.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Sinceridade
Acendi um cigarro e apaguei a luz. Mentira, não apaguei a luz coisa nenhuma. Tomei um banho e botei Parethentical Girls pra tocar. Mentira, não tem música também; tem a Glória Pires chorando na novela das oito. Comi alguma coisa e enchi alguma coisa com vinho seco. Mentira! Terminei com o suco de maracujá cheio de formigas em cima da pia desde hoje de manhã.
Sentei aqui para ser sincero. Mentira!
Acordei hoje de manhã para fazer a diferença. Mentira!
Me orgulho de ter esquecido. Mentira!
Diminuindo o cigarro. Mentira!
Sentei aqui para ser sincero. Mentira!
Acordei hoje de manhã para fazer a diferença. Mentira!
Me orgulho de ter esquecido. Mentira!
Diminuindo o cigarro. Mentira!
domingo, 10 de abril de 2011
Canções da Partida
Não dá pra continuar assim! Me fala onde você se esconde aqui dentro! Pára de brincar de fazer eco aqui dentro! Chega! Isso deixou de ser brincadeira há muito tempo e eu não posso mais com a disritmia. Eu não posso mais com esse vício, eu não posso mais com as decepções,eu não posso mais com o seu casual, com esse caso, com isso que não é,eu não posso mais viver achando que é isso que não é!
Sai! Por favor, vai embora. Acho que quem não consegue ir embra sou eu! Eu preciso ir embora...
Bate outra vez com... o meu coração? Continuo na mesma estrofe, voltando ao jardim de novo e de novo, voltando ao jardim de nobvo e de novo!
Não posso mais com a crueldade, não posso mais com essa sozinhês. Alguém me leva prum lugar longe daqui. Cansei de ser ilha, cansei de ser lua, cansei de ser barco sem vela e cansei das suas marés, estou marejado de tanto teu mar.
Não há mais balanças nem peneiras em que eu confie. Não há filtros suficientes pra separar a velha rima. E ela continua rimando comigo pois não sei mais onde moro, não tenho vontade de morar em lugar nenhum. Pra todo espelho que olho não há corpos marcados! Chega dessa brincadeira! Eu desisto... quero caminhar vazio... eu quero caminhar sem você. Não há mais folia, há revolta e não há aquele dom nem o novo dia.
Você só me ensinou a te querer, a te querer, e te querendo eu estou começando a me perder...
Acabei de me afogar nesse trecho da música. Estou desesperado para me abandonar em algum lugar dessa canção para sempre. Estou desesperado porque fui abandonado nesse trecho da música.
Não é no emaranhado dos meus cabelos que você vai fugir do mundo! Meu peito não é o seu refúgio! Vai embora!
Eu quero ser exorcizado! Eu quero ser desipnotizado! Eu quero ser exorcizado dessa pluma leve, suave coisa nenhuma.
Sai! Por favor, vai embora. Acho que quem não consegue ir embra sou eu! Eu preciso ir embora...
Bate outra vez com... o meu coração? Continuo na mesma estrofe, voltando ao jardim de novo e de novo, voltando ao jardim de nobvo e de novo!
Não posso mais com a crueldade, não posso mais com essa sozinhês. Alguém me leva prum lugar longe daqui. Cansei de ser ilha, cansei de ser lua, cansei de ser barco sem vela e cansei das suas marés, estou marejado de tanto teu mar.
Não há mais balanças nem peneiras em que eu confie. Não há filtros suficientes pra separar a velha rima. E ela continua rimando comigo pois não sei mais onde moro, não tenho vontade de morar em lugar nenhum. Pra todo espelho que olho não há corpos marcados! Chega dessa brincadeira! Eu desisto... quero caminhar vazio... eu quero caminhar sem você. Não há mais folia, há revolta e não há aquele dom nem o novo dia.
Você só me ensinou a te querer, a te querer, e te querendo eu estou começando a me perder...
Acabei de me afogar nesse trecho da música. Estou desesperado para me abandonar em algum lugar dessa canção para sempre. Estou desesperado porque fui abandonado nesse trecho da música.
Não é no emaranhado dos meus cabelos que você vai fugir do mundo! Meu peito não é o seu refúgio! Vai embora!
Eu quero ser exorcizado! Eu quero ser desipnotizado! Eu quero ser exorcizado dessa pluma leve, suave coisa nenhuma.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Lágrimas Guardadas
Houve, sim, momentos em que fingi, em que assumi um controle que não tinha, em que disse que tudo iria ficar bem comigo, que não havia diferença entre as suas costas indo e o seu sorriso vindo. Enquanto seus olhos eram postos em mim, eu te servia um ´adeus´ sorridente.
Mesmo então eu nunca te neguei uma lágrima. Eu, uma casa que chovia por dentro, a tempestade fustigando as janelas dos olhos, uma enxurrada descendo garganta abaixo.. e... um `adeus´ feito de sorriso.
Mas no instante em que seu olhar deixou de me cobrir, senti um frio-solidão, você partindo de mim e, de repente, tanto espaço vazio aqui dentro, tantas coisas abandonadas e sem função, brinquedos abandonados ao pó, perdendo sua graça tão rápido quanto seus passos de saída.
Eu, uma casa vazia às três horas da tarde, parado no mesmo lugar em que me deixou, em uma calçada sem rua, em um lugar sem endereço, sob uma árvore sem sombra, observando suas costas levarem seus cabelos embora, o cheiro da sua pele, a mania das suas mãos, a personalidade do seu andar... tudo seqüestrado pelas suas costas.
E apenas quando te perdi de vista e te vi longe demais da minha calçada, foi que quis te negar uma lágrima. Justamente aí elas me inundaram e transbordaram: quando percebi que nunca houve em você uma lágrima guardada só para mim.
Mesmo então eu nunca te neguei uma lágrima. Eu, uma casa que chovia por dentro, a tempestade fustigando as janelas dos olhos, uma enxurrada descendo garganta abaixo.. e... um `adeus´ feito de sorriso.
Mas no instante em que seu olhar deixou de me cobrir, senti um frio-solidão, você partindo de mim e, de repente, tanto espaço vazio aqui dentro, tantas coisas abandonadas e sem função, brinquedos abandonados ao pó, perdendo sua graça tão rápido quanto seus passos de saída.
Eu, uma casa vazia às três horas da tarde, parado no mesmo lugar em que me deixou, em uma calçada sem rua, em um lugar sem endereço, sob uma árvore sem sombra, observando suas costas levarem seus cabelos embora, o cheiro da sua pele, a mania das suas mãos, a personalidade do seu andar... tudo seqüestrado pelas suas costas.
E apenas quando te perdi de vista e te vi longe demais da minha calçada, foi que quis te negar uma lágrima. Justamente aí elas me inundaram e transbordaram: quando percebi que nunca houve em você uma lágrima guardada só para mim.
terça-feira, 29 de março de 2011
Bagagem de Mão
Saudade...
... é o que mais pesa na minha bagagem.
Esses dias eu abri minha mala e encontrei teu rosto adormecido, encontrei aquele teu riso mais bobo, o jeito como tuas mãos desajeitadas regem teus discursos, eu abri minha mala e escutei de novo o teu fôlego furtando meu cheiro, teus dedos despindo minha alma...
Estou com saudade de dizer teu nome como se ele me pertencesse, de ouvir meu nome matar a sede na tua saliva, saudade dos teus olhos, dos poemas, da pele, da letra, do que era bom... Saudade daquela palavrinha que sempre te confundia: blibioteca...
Eu não entro mais em bibliotecas.
Estou tentando desaprender a ler, quero esquecer a história que você escreveu na minha pele, quero pular o capítulo que você gravou nos meus gostos, na minha vontade. Quero esquecer seu título. Eu, agora, comemoro cada página arrancada, virou meu livro de cabeceira... a saudade... Comemoro cada página, cada página...
E, logo, nossa história vai parar nas prateleiras da minha biblioteca de páginas que arranquei de outros livros...
Amores vão, vêm... vêm e vão... e vão e vêm... Mas o amor nunca vem em vão...
Eu preciso me livrar dessa mala, preciso parar de fingir que eu não tenho um coração.
... é o que mais pesa na minha bagagem.
Esses dias eu abri minha mala e encontrei teu rosto adormecido, encontrei aquele teu riso mais bobo, o jeito como tuas mãos desajeitadas regem teus discursos, eu abri minha mala e escutei de novo o teu fôlego furtando meu cheiro, teus dedos despindo minha alma...
Estou com saudade de dizer teu nome como se ele me pertencesse, de ouvir meu nome matar a sede na tua saliva, saudade dos teus olhos, dos poemas, da pele, da letra, do que era bom... Saudade daquela palavrinha que sempre te confundia: blibioteca...
Eu não entro mais em bibliotecas.
Estou tentando desaprender a ler, quero esquecer a história que você escreveu na minha pele, quero pular o capítulo que você gravou nos meus gostos, na minha vontade. Quero esquecer seu título. Eu, agora, comemoro cada página arrancada, virou meu livro de cabeceira... a saudade... Comemoro cada página, cada página...
E, logo, nossa história vai parar nas prateleiras da minha biblioteca de páginas que arranquei de outros livros...
Amores vão, vêm... vêm e vão... e vão e vêm... Mas o amor nunca vem em vão...
Eu preciso me livrar dessa mala, preciso parar de fingir que eu não tenho um coração.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Malboro Light Maço
Notas dissonantes e solitárias se envolvem de silêncio e tempo. Xixi enche bexiga cheia. Uma valsa nos pés. Ouvidos olvidados de vez. Vento nas mãos para refrescar, palavras na cabeça para fugir. Um cemitério de pianos roubados a se visitar...
Gut Gut Gut...
Dor de garganta e catarro...
Tá caro... o cigarro... Paro? Tá caro. Não paro. Paro? Não paro! Paro ou não paro?
"Tá na cara", ele escancara.
(Escarro)
Mora na... Morra na...
(cuspo)
Musgo no refrigerador! É o sinismo do catarro. O sarro do cigarro. O trago da cisma. O sinistro da garra. O esmo da gana. O mesmo da trama. É o drama, é o gesto, o credo e a cria. É a CIA, é a C&A, é a cia.
É a cia.
É a falta de brio. E o cio é o seu (Bombril)! Senhas. Senhas! Senhas, SENHAS! Senhas para todos os maços, para todas as moças, para todas as marcas! Para a C&A.
Fumando nuvens carregadas de trovões. Relampejando tosses. Vício possesso. Caro fumo passageiro; passagem caridosa ao viciado. Fumante dos passos escassos, dos queridos caretas picados. Das picas pisadas dos filmes, apenas carretas idas, nunca mais voltadas.
E ainda a vontade de mijar.
Gut Gut Gut...
Dor de garganta e catarro...
Tá caro... o cigarro... Paro? Tá caro. Não paro. Paro? Não paro! Paro ou não paro?
"Tá na cara", ele escancara.
(Escarro)
Mora na... Morra na...
(cuspo)
Musgo no refrigerador! É o sinismo do catarro. O sarro do cigarro. O trago da cisma. O sinistro da garra. O esmo da gana. O mesmo da trama. É o drama, é o gesto, o credo e a cria. É a CIA, é a C&A, é a cia.
É a cia.
É a falta de brio. E o cio é o seu (Bombril)! Senhas. Senhas! Senhas, SENHAS! Senhas para todos os maços, para todas as moças, para todas as marcas! Para a C&A.
Fumando nuvens carregadas de trovões. Relampejando tosses. Vício possesso. Caro fumo passageiro; passagem caridosa ao viciado. Fumante dos passos escassos, dos queridos caretas picados. Das picas pisadas dos filmes, apenas carretas idas, nunca mais voltadas.
E ainda a vontade de mijar.
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