Não dá pra continuar assim! Me fala onde você se esconde aqui dentro! Pára de brincar de fazer eco aqui dentro! Chega! Isso deixou de ser brincadeira há muito tempo e eu não posso mais com a disritmia. Eu não posso mais com esse vício, eu não posso mais com as decepções,eu não posso mais com o seu casual, com esse caso, com isso que não é,eu não posso mais viver achando que é isso que não é!
Sai! Por favor, vai embora. Acho que quem não consegue ir embra sou eu! Eu preciso ir embora...
Bate outra vez com... o meu coração? Continuo na mesma estrofe, voltando ao jardim de novo e de novo, voltando ao jardim de nobvo e de novo!
Não posso mais com a crueldade, não posso mais com essa sozinhês. Alguém me leva prum lugar longe daqui. Cansei de ser ilha, cansei de ser lua, cansei de ser barco sem vela e cansei das suas marés, estou marejado de tanto teu mar.
Não há mais balanças nem peneiras em que eu confie. Não há filtros suficientes pra separar a velha rima. E ela continua rimando comigo pois não sei mais onde moro, não tenho vontade de morar em lugar nenhum. Pra todo espelho que olho não há corpos marcados! Chega dessa brincadeira! Eu desisto... quero caminhar vazio... eu quero caminhar sem você. Não há mais folia, há revolta e não há aquele dom nem o novo dia.
Você só me ensinou a te querer, a te querer, e te querendo eu estou começando a me perder...
Acabei de me afogar nesse trecho da música. Estou desesperado para me abandonar em algum lugar dessa canção para sempre. Estou desesperado porque fui abandonado nesse trecho da música.
Não é no emaranhado dos meus cabelos que você vai fugir do mundo! Meu peito não é o seu refúgio! Vai embora!
Eu quero ser exorcizado! Eu quero ser desipnotizado! Eu quero ser exorcizado dessa pluma leve, suave coisa nenhuma.
domingo, 10 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Lágrimas Guardadas
Houve, sim, momentos em que fingi, em que assumi um controle que não tinha, em que disse que tudo iria ficar bem comigo, que não havia diferença entre as suas costas indo e o seu sorriso vindo. Enquanto seus olhos eram postos em mim, eu te servia um ´adeus´ sorridente.
Mesmo então eu nunca te neguei uma lágrima. Eu, uma casa que chovia por dentro, a tempestade fustigando as janelas dos olhos, uma enxurrada descendo garganta abaixo.. e... um `adeus´ feito de sorriso.
Mas no instante em que seu olhar deixou de me cobrir, senti um frio-solidão, você partindo de mim e, de repente, tanto espaço vazio aqui dentro, tantas coisas abandonadas e sem função, brinquedos abandonados ao pó, perdendo sua graça tão rápido quanto seus passos de saída.
Eu, uma casa vazia às três horas da tarde, parado no mesmo lugar em que me deixou, em uma calçada sem rua, em um lugar sem endereço, sob uma árvore sem sombra, observando suas costas levarem seus cabelos embora, o cheiro da sua pele, a mania das suas mãos, a personalidade do seu andar... tudo seqüestrado pelas suas costas.
E apenas quando te perdi de vista e te vi longe demais da minha calçada, foi que quis te negar uma lágrima. Justamente aí elas me inundaram e transbordaram: quando percebi que nunca houve em você uma lágrima guardada só para mim.
Mesmo então eu nunca te neguei uma lágrima. Eu, uma casa que chovia por dentro, a tempestade fustigando as janelas dos olhos, uma enxurrada descendo garganta abaixo.. e... um `adeus´ feito de sorriso.
Mas no instante em que seu olhar deixou de me cobrir, senti um frio-solidão, você partindo de mim e, de repente, tanto espaço vazio aqui dentro, tantas coisas abandonadas e sem função, brinquedos abandonados ao pó, perdendo sua graça tão rápido quanto seus passos de saída.
Eu, uma casa vazia às três horas da tarde, parado no mesmo lugar em que me deixou, em uma calçada sem rua, em um lugar sem endereço, sob uma árvore sem sombra, observando suas costas levarem seus cabelos embora, o cheiro da sua pele, a mania das suas mãos, a personalidade do seu andar... tudo seqüestrado pelas suas costas.
E apenas quando te perdi de vista e te vi longe demais da minha calçada, foi que quis te negar uma lágrima. Justamente aí elas me inundaram e transbordaram: quando percebi que nunca houve em você uma lágrima guardada só para mim.
terça-feira, 29 de março de 2011
Bagagem de Mão
Saudade...
... é o que mais pesa na minha bagagem.
Esses dias eu abri minha mala e encontrei teu rosto adormecido, encontrei aquele teu riso mais bobo, o jeito como tuas mãos desajeitadas regem teus discursos, eu abri minha mala e escutei de novo o teu fôlego furtando meu cheiro, teus dedos despindo minha alma...
Estou com saudade de dizer teu nome como se ele me pertencesse, de ouvir meu nome matar a sede na tua saliva, saudade dos teus olhos, dos poemas, da pele, da letra, do que era bom... Saudade daquela palavrinha que sempre te confundia: blibioteca...
Eu não entro mais em bibliotecas.
Estou tentando desaprender a ler, quero esquecer a história que você escreveu na minha pele, quero pular o capítulo que você gravou nos meus gostos, na minha vontade. Quero esquecer seu título. Eu, agora, comemoro cada página arrancada, virou meu livro de cabeceira... a saudade... Comemoro cada página, cada página...
E, logo, nossa história vai parar nas prateleiras da minha biblioteca de páginas que arranquei de outros livros...
Amores vão, vêm... vêm e vão... e vão e vêm... Mas o amor nunca vem em vão...
Eu preciso me livrar dessa mala, preciso parar de fingir que eu não tenho um coração.
... é o que mais pesa na minha bagagem.
Esses dias eu abri minha mala e encontrei teu rosto adormecido, encontrei aquele teu riso mais bobo, o jeito como tuas mãos desajeitadas regem teus discursos, eu abri minha mala e escutei de novo o teu fôlego furtando meu cheiro, teus dedos despindo minha alma...
Estou com saudade de dizer teu nome como se ele me pertencesse, de ouvir meu nome matar a sede na tua saliva, saudade dos teus olhos, dos poemas, da pele, da letra, do que era bom... Saudade daquela palavrinha que sempre te confundia: blibioteca...
Eu não entro mais em bibliotecas.
Estou tentando desaprender a ler, quero esquecer a história que você escreveu na minha pele, quero pular o capítulo que você gravou nos meus gostos, na minha vontade. Quero esquecer seu título. Eu, agora, comemoro cada página arrancada, virou meu livro de cabeceira... a saudade... Comemoro cada página, cada página...
E, logo, nossa história vai parar nas prateleiras da minha biblioteca de páginas que arranquei de outros livros...
Amores vão, vêm... vêm e vão... e vão e vêm... Mas o amor nunca vem em vão...
Eu preciso me livrar dessa mala, preciso parar de fingir que eu não tenho um coração.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Malboro Light Maço
Notas dissonantes e solitárias se envolvem de silêncio e tempo. Xixi enche bexiga cheia. Uma valsa nos pés. Ouvidos olvidados de vez. Vento nas mãos para refrescar, palavras na cabeça para fugir. Um cemitério de pianos roubados a se visitar...
Gut Gut Gut...
Dor de garganta e catarro...
Tá caro... o cigarro... Paro? Tá caro. Não paro. Paro? Não paro! Paro ou não paro?
"Tá na cara", ele escancara.
(Escarro)
Mora na... Morra na...
(cuspo)
Musgo no refrigerador! É o sinismo do catarro. O sarro do cigarro. O trago da cisma. O sinistro da garra. O esmo da gana. O mesmo da trama. É o drama, é o gesto, o credo e a cria. É a CIA, é a C&A, é a cia.
É a cia.
É a falta de brio. E o cio é o seu (Bombril)! Senhas. Senhas! Senhas, SENHAS! Senhas para todos os maços, para todas as moças, para todas as marcas! Para a C&A.
Fumando nuvens carregadas de trovões. Relampejando tosses. Vício possesso. Caro fumo passageiro; passagem caridosa ao viciado. Fumante dos passos escassos, dos queridos caretas picados. Das picas pisadas dos filmes, apenas carretas idas, nunca mais voltadas.
E ainda a vontade de mijar.
Gut Gut Gut...
Dor de garganta e catarro...
Tá caro... o cigarro... Paro? Tá caro. Não paro. Paro? Não paro! Paro ou não paro?
"Tá na cara", ele escancara.
(Escarro)
Mora na... Morra na...
(cuspo)
Musgo no refrigerador! É o sinismo do catarro. O sarro do cigarro. O trago da cisma. O sinistro da garra. O esmo da gana. O mesmo da trama. É o drama, é o gesto, o credo e a cria. É a CIA, é a C&A, é a cia.
É a cia.
É a falta de brio. E o cio é o seu (Bombril)! Senhas. Senhas! Senhas, SENHAS! Senhas para todos os maços, para todas as moças, para todas as marcas! Para a C&A.
Fumando nuvens carregadas de trovões. Relampejando tosses. Vício possesso. Caro fumo passageiro; passagem caridosa ao viciado. Fumante dos passos escassos, dos queridos caretas picados. Das picas pisadas dos filmes, apenas carretas idas, nunca mais voltadas.
E ainda a vontade de mijar.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Coito Poético na Concha
Escrever é como se sentir nu, com o corpo entregue a um desejo fulminante de pertencer. E, pertencendo, sou eu o objeto da escrita e não o contrário. É ela quem me cria, não sou eu o criador.
Me vejo ameaçado pelo papel, mas meu desejo é chamado pelas palavras do meu eu guardado.
O papel que me ameaça é também o cofre de mim mesmo, e a ponta da caneta é o segredo capaz de revelar-me, de soltar os vários eus que consomem meu corpo.
Escrever, ao mesmo tempo, é como trancar-se, prender-se no papel e abandonar ao vento uma parte de si.É também pertencer, é ser, conhecer a si mesmo através das palavras extraídas do seu eu inconsciente.
Talvez, então, a folha de papel não seja mais do que um espelho que ora se parte e quebra me expondo como realmente sou: fragmentos, cacos.
E apesar de todas as minhas urgências no final do papel ou da minha vidinha, eu sou nada.
Luiz e Regina
Me vejo ameaçado pelo papel, mas meu desejo é chamado pelas palavras do meu eu guardado.
O papel que me ameaça é também o cofre de mim mesmo, e a ponta da caneta é o segredo capaz de revelar-me, de soltar os vários eus que consomem meu corpo.
Escrever, ao mesmo tempo, é como trancar-se, prender-se no papel e abandonar ao vento uma parte de si.É também pertencer, é ser, conhecer a si mesmo através das palavras extraídas do seu eu inconsciente.
Talvez, então, a folha de papel não seja mais do que um espelho que ora se parte e quebra me expondo como realmente sou: fragmentos, cacos.
E apesar de todas as minhas urgências no final do papel ou da minha vidinha, eu sou nada.
Luiz e Regina
Acasalamento Poético na Concha
Os corpos se desnudam sob as árvores.
Serpenteiam o dia.
São como cobras preparando o bote sobre nosso desejo. O nosso velho e monstruoso desejo camuflado.
É o monstro que ameaça a segurança debaixo da cama.
É uma urgência desmedida que desespera e que espera e que é esperança e que é desistência.
É estar de mãos dadas com a morte, mas é a morte vestida com sua roupa de vida de gala nos levando a uma grande festa.
É uma farsa, mas só você sabe da real situação, que é simplesmente deixar o desejo selvagem correr solto e devorar os corpos que se desnudam sob as árvores.
Roberto e Márcia
Serpenteiam o dia.
São como cobras preparando o bote sobre nosso desejo. O nosso velho e monstruoso desejo camuflado.
É o monstro que ameaça a segurança debaixo da cama.
É uma urgência desmedida que desespera e que espera e que é esperança e que é desistência.
É estar de mãos dadas com a morte, mas é a morte vestida com sua roupa de vida de gala nos levando a uma grande festa.
É uma farsa, mas só você sabe da real situação, que é simplesmente deixar o desejo selvagem correr solto e devorar os corpos que se desnudam sob as árvores.
Roberto e Márcia
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Através da janela do escritório em um dia ruim
Uma menina caminha até o jardim.
Carrega nos braços travesseiros, lençóis, alguma coisa rosa de plástico, sacolas vazias de plástico e de pano; na boca, uma chupeta rosa.
O vento toma a sacola de pano das mãos da menina, que larga tudo no chão e corre para um resgate desesperado da sacola. Recupera no ar depois de alguns segundos e vai caminhando de volta.
Novamente o vento arranca a sacola das mãos da menina fazendo-a correr atrás do objeto roubado. Desta vez, ao recolher a sacola do chão, a menina se enfurece e bate a sacola contra o peito, as mãos muito apertadas e o rosto todo torcido de irritação enquanto vai caminhando de volta.
No meio do caminho, mais uma vez o vento. Mas a sacola está bem segura e não sucumbe às mãos que sopram sua leveza. O rosto da menina se distorce e ela olha para a sacola em suas mãos... Parece tentar entender alguma coisa... Ela joga a sacola para cima com uma força de lançar um foguete ao espaço e assiste a sacola voar.
A menina mastiga um pouco sua chupeta e continua seu caminho em direção ao restante das coisas que abandonou. Ela organiza todos os objetos ao seu redor, levanta o lençol e o estende com a ajuda do vento, se deitando no chão enquanto a lenta queda do tecido ia cobrindo seu corpo. Ao deitar-se no chão antes do tecido no seu corpo, a menina ralou as costas e fez cara de dor.
Abandonou mais uma vez o lençol, rearrumou o pequeno travesseiro, pegou o estranho objeto de plástico rosa e o possicionou no lugar onde antes estiveram as costas. Se levantou e repetiu a seqüência, deixando às mãos do vento o trabalho de cobri-la com o lençol e deitando rapidamente.
O objeto rosa, muito maior que o travesseiro, deixa o corpo da menina em estado aflitivamente desconfortável, de modo que sua coluna parece dobrar em dois, sua cabeça fica pendurada para um lado do travesseiro e seus braços pendam pelos cotovelos em ângulos esquisitos... ela parece não notar nada de errado.
Fecha os olhos e parece começar a dormir, mas de repente se lembra de algo e seu corpo se mexe repentinamente: une as duas mãos sobre o peito e faz uma oração rápida enquanto mastiga a chupeta.
Volta a relaxar...
Depois de pouquíssimo tempo, mais uma vez seu corpo todo se mexe repentinamente convergindo sua agitação para os olhos, que se espremem, enrugando todo o pequeno rosto. A chupeta rosa vibrando impacientemente na pequena boca. A menina simplesmente não agüenta mais a luz intensa do sol do meio dia e cobre os olhos fechados com o braço esquerdo.
Volta a relaxar...
Durante um minuto inteiro, ela parece adormecida.
Então, aborrecida, levanta, recolhe todas suas coisas com os dois braços e vai embora.
Esquece a sacola de pano.
Carrega nos braços travesseiros, lençóis, alguma coisa rosa de plástico, sacolas vazias de plástico e de pano; na boca, uma chupeta rosa.
O vento toma a sacola de pano das mãos da menina, que larga tudo no chão e corre para um resgate desesperado da sacola. Recupera no ar depois de alguns segundos e vai caminhando de volta.
Novamente o vento arranca a sacola das mãos da menina fazendo-a correr atrás do objeto roubado. Desta vez, ao recolher a sacola do chão, a menina se enfurece e bate a sacola contra o peito, as mãos muito apertadas e o rosto todo torcido de irritação enquanto vai caminhando de volta.
No meio do caminho, mais uma vez o vento. Mas a sacola está bem segura e não sucumbe às mãos que sopram sua leveza. O rosto da menina se distorce e ela olha para a sacola em suas mãos... Parece tentar entender alguma coisa... Ela joga a sacola para cima com uma força de lançar um foguete ao espaço e assiste a sacola voar.
A menina mastiga um pouco sua chupeta e continua seu caminho em direção ao restante das coisas que abandonou. Ela organiza todos os objetos ao seu redor, levanta o lençol e o estende com a ajuda do vento, se deitando no chão enquanto a lenta queda do tecido ia cobrindo seu corpo. Ao deitar-se no chão antes do tecido no seu corpo, a menina ralou as costas e fez cara de dor.
Abandonou mais uma vez o lençol, rearrumou o pequeno travesseiro, pegou o estranho objeto de plástico rosa e o possicionou no lugar onde antes estiveram as costas. Se levantou e repetiu a seqüência, deixando às mãos do vento o trabalho de cobri-la com o lençol e deitando rapidamente.
O objeto rosa, muito maior que o travesseiro, deixa o corpo da menina em estado aflitivamente desconfortável, de modo que sua coluna parece dobrar em dois, sua cabeça fica pendurada para um lado do travesseiro e seus braços pendam pelos cotovelos em ângulos esquisitos... ela parece não notar nada de errado.
Fecha os olhos e parece começar a dormir, mas de repente se lembra de algo e seu corpo se mexe repentinamente: une as duas mãos sobre o peito e faz uma oração rápida enquanto mastiga a chupeta.
Volta a relaxar...
Depois de pouquíssimo tempo, mais uma vez seu corpo todo se mexe repentinamente convergindo sua agitação para os olhos, que se espremem, enrugando todo o pequeno rosto. A chupeta rosa vibrando impacientemente na pequena boca. A menina simplesmente não agüenta mais a luz intensa do sol do meio dia e cobre os olhos fechados com o braço esquerdo.
Volta a relaxar...
Durante um minuto inteiro, ela parece adormecida.
Então, aborrecida, levanta, recolhe todas suas coisas com os dois braços e vai embora.
Esquece a sacola de pano.
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